sábado, 4 de dezembro de 2010

O querido poeta falido

Não é mito
Não sou rico
Um dia já fui mais
Do que isso
Um poeta falido

Não de Dinheiro
Não de amor
Já fui doutor
Mas hoje eu sou
Um poeta falido

É, tudo acabou
A banda passou
O prédio caiu
Não qualificou
E o poeta faliu

Já fui rico
Cheio de paparico
A vida passou
A caneta caiu
A tinta acabou
E o poeta faliu

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Mesa de chão

Café na mesa
Café com pão
Pão e manteiga
Isso aqui não tem, não!

Rabisca o chão
desenhando com a mão
Sonhando com a manteiga
O café e o pão

Pão que é pedra
Mesa que é chão
O café é a saliva
Ah! Manteiga tem não!

Mas a vida é dura
E o barro também
Só dá pra roer osso
E sem saber de quem

Não tem café nem mesa
Pão ou manteiga
Com a vida desse jeito
Acabo como presa

Engulo a esperança
Sonhando que um dia
Deus mande a alegria
D'eu mexer a balança

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Saudade

Saudade é clausura e vontade
Do som que entra em meus ouvidos
Nenhum têm musicalidade

Pensar em ti não me faz rir
Só me enche de vontade
E me enclausura na saudade

Saudade que é clausura e vontade
Vontade de não te ter só na lembrança
E ainda sofrer na esperança.

sábado, 26 de junho de 2010

Garbage Hell

O final dos anos 80 sempre foi uma aventura, mas naquele dia não parecia muito legal para Billy Trash. Assim o chamavam desde que entrou no mundo do Rock and Roll. Tudo estava embaçado e o que Billy tocava parecia excitante. Na mesinha de centro algumas seringas e cocaína. Pelo chão sujo algumas garrafas de cerveja.
O carecão punk já não sentia-se tão ameaçador usando sua jaqueta preta e sua calça jeans com os joelhos rasgados. Em cinco minutos subiria ao palco para infernizar tocando na bateria de sua banda, Garbage Wally, mas seu ultimo show completo seria o da semana passada. Não havia heroína capaz de salvá-lo.
Muitas mulheres nuas e bodadas, garrafas, pó e baseados. Muito rock and roll, sim, muito rock and roll! Sex Pistols era religião. Billy teve uma vida cheia e uma puta de uma bad trip no camarim àquele instante. Tinha 27, nada incomum. Ouviu um barulho ao longe. Era Scott, guitarrista e vocalista da banda para pegá-lo e então arrancá-lo dali para em fim subir no palco.
Mesmo em seu estado nada normal, Billy foi e ainda conseguiu tocar até a metade da segunda música. Caiu por cima de sua bateria. Parecia morto, mas não era isso. Era o inferno chamando Billy Trash para finalmente se tornar o Billy Hell. Já era hora, ele tinha 27!
Nascia, então, Billy Hell, que logo chegou ao inferno. Lá ele conheceria o verdadeiro rock n roll. Encontrou Morrison, Joplin, Hendrix, Jones e juntos fizeram do inferno o Garbage Hell, a maior e melhor casa de rock da cena underground de todo o submundo!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Book Blues

Era segunda-feira. Madeline não sabia onde estava, mas se sentia bem. O local era fechado. Uma sala grande e fechada. Havia livros, um sofá e o clima estava frio. Também havia um calendário. Tudo parecia bem ao gosto de Madeline. Após analisar o local, aproximou-se da estante a qual estavam os livros. Eram todos livros de filosofia, história, música e de estudos psicológicos. Amando o lugar, Madeline devorou os livros de tanto ler.
Enquanto lia, teve um breve momento de epifania e novamente analisou bem os quatro cantos da sala. Dessa vez com mais calma. Achou um violão entre duas estantes e uma gaita perto do sofá. Tudo parecia perfeito! Livros, música, sofá... Madeline queria ficar alí para sempre. Via aquilo como um refúgio do mundo, que muitas, mas muitas vezes era injusto com ela.
Ao ver os instrumentos, Madeline correu e começou a tocar gaita como nunca. O silencio da sala realçava a música e o som saia limpo e puro. No meio da música, a garota viu que tinha algo estranho na parede verde da sala. Parecia ser algo mecânico, uma câmera, talvez. Dirigiu-se até o local, empilhou os livros no chão e subiu desajeitadamente nestes. Olhou bem e, sim, era uma câmera. Olhando mais detalhadamente, Madeline viu que tinha algo escrito na câmera. Olhou fixamente a pequena escritura que dizia: Clínica Psiquiátrica Book Blues.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Roma

Quando parar? Se perguntar isso não é fácil. Não dá mais para ficar andando tonto por aí, vendo as coisas se distorcerem cada vez mais. A voz gagueja, naquele momento é só você e ela. Ela e você. As coisas dominam sua cabeça e tudo parece ser um mar de rosas, seus pensamentos fluem rapidamente, e quando se depara com ela novamente, não parece ser do mesmo jeito. Suas mãos dormem sobre as minhas, que as aquecem e te faz ficar louco. Entorpecido, talvez. Depois de um tempo você se pergunta sobre a vida e começa a achar que ela não é importante. É nesse momento que vem o choro, as lembranças e a vontade de se libertar. Não há o amor, não há liberdade. Aprender a amar é o primeiro passo para sair deste ciclo, que vai e volta sem parar. No final de cada uma destas voltas você desiste daquilo que sempre precisou e teve, mas não usou ou usaram do jeito certo. A incompleta formação complica as coisas, fechando o mundo apenas em um fato. Você fica preso à uma ideia e não consegue sair dalí. Precisa de mais alguém. Precisa dele, que eu tanto quero dar, mas que vive sempre dando voltas.